terça-feira, 5 de julho de 2011

Uma manhã de inverno

Acordei com os pés quase congelados. A cabeça meio tonta. Vontade zero de levantar meu corpo para minhas obrigações.

Mas nem mesmo havia o desejo de estar ali, deitada com o músculos doendo naquela cama, de tanto me virar a noite inteira. Eu tinha a certeza, naqueles instantes infernais e sem resquício algum de ânimo, de que eu não sabia o que queria nos segundos seguintes.

Desejei, então, quase desesperadamente, que alguma tragédia acontecesse, que me desse algum sentido para prosseguir com mais entusiasmo, ou menos, que fosse.

Mas mesmo com tudo isso, levantei-me. Havia compromisso seríssimo a cumprir. Aquele que nos garante mais um mês de contas pagas, e algo a mais para ajudar o tempo a passar.

Vesti-me de forma desconfortável, pela provável necessidade de repaginada no armário – coisa que nunca fiz, aliás. E saíra de forma apressada – o que odeio -, quase atrasada, e sem nenhuma motivação.

Na rua, o sol me veio nostálgico. Algumas esquinas ensolaradas e frias estavam elegantemente tristes e belas. Senti saudade de algo que não pude decifrar. Um aperto no peito, daqueles que doem demais, e não existem palavras para descrevê-los.

Segui meu caminho e procurei não levantar-me a questão da minha vida estar tão bagunçada e quando eu me dei conta era nisso que eu estava a divagar. Mas depois de eu sofrer por alguns instantes, tudo passou quando eu percebi que minha vida sempre fora bagunçada e que esse era o traço mais marcante da minha personalidade. Então me senti em casa outra vez.

O resto do caminho procurei não recordar os sonhos da adolescência morta. E estive atenta às pessoas nas ruas, seus penteados, suas roupas, seus carros... nesta manhã ninguém me causou inveja. Fiquei feliz comigo mesma.

E então a tarde se aproximava de mim. Era o fim daquela manhã de horas inacabáveis. Sutil e banal, quase desapercebível, não fossem as doses pequenas de depressão, nostalgia, tristeza e frustração.

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