terça-feira, 3 de janeiro de 2012

A sala vazia

O vento lá fora bagunça as folhas assustadas

É festa na praia, multidão sonhando entre as promessas de felicidade
E esta sala tão vazia aqui
Vazia ela carrega o meu coração, tão confuso com as palavras que gritam essa solidão
Nela nem mesmo os móveis, uma pequena mesa somente, e um pequeno rádio preenchem o que um dia fez de nós todos felizes
Aqui e ali uma marca impregnada nas paredes, um verso perdido num canto qualquer e só
Em meio às cortinas, muitos remorsos escondidos, a rudez do tempo dos sonhos que foram se indo, junto com a correnteza deste mesmo mar que agora te faz refletir
Eu estou aqui, tão longe da água; tem calor e ventania, uma música pelo ar que circula tão livre, aliás, como sempre o permitimos
Na sala vazia, muito de minhas lembranças, muitos de meus dias, a vida minha que se foi, e eu que nunca me fui
Por trás das grades, as árvores me lembram da dança da vida
E a sala assim, imensamente vazia dentro de mim
Vazia de tudo, vazia de todos, vazia como nunca... nem eu mesma de fato estou aqui.

Simone Dutra

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