segunda-feira, 23 de maio de 2011

Água viva

Sou assim, feito água viva
Bailando pelas infindas curvas dessa correnteza feroz
Tentando me agarrar à qualquer coisa
Que me faça não ser mais um morto-vivo
Que me faça ser um som retumbante
Em meio à esse silêncio lancinante
Calmaria que vem de toda essa cegueira atroz

Em meio à toda essa multidão - de sentimentos - torpe
Eu carrego um coração desperto
Os olhos abertos
E talvez um embalo triste de alguma canção

Eu tenho vontade de gritar, gritar, gritar!
Pra todos vocês desse mundo
Um grito amargo
Com um ruído muito sujo

São mensagens e são palavras de algum poema
Que denunciam esse nosso segredo já tão conhecido
Em massa, vamos perpetuando esse grande esquema
De não dizer o que é reto, o que é verdadeiro, o que há de perdido!

O medo? Ah! Medo!
Sigo sempre ao teu lado
Como companheiro incansável que sou
Tantas vezes calado
Fico com as migalhas da paz
Que gentilmente Te dou

E cego, fingido, nesse bem-estar inventado
Toda noite me faço um teatro privado
Algo em mim se faz ator
Vê um mundo sem dor(?)!
Faz de conta que esquece
E faz de conta que adormece...

2 comentários:

Anônimo disse...

Nossa! Bastante intenso e como me identifico com esses sentimentos caóticos, de medo, angústia, solidão. Pois bem, eis a verdade que tanto tememos, o que de fato nos impulsiona para a vida? O que nos torna mais seres humanos? Às vezes me encontro assim, estagnada, apática, sem forças e com total pânico de não saber para onde vou. Como se quisesse recomeçar, voltar ao útero e ali permanecer, até que fosse possível liquidificar todos esses pensamentos e sentimentos intoxicantes. Uma vez espalhados pelo ar não seríamos mais únicos a temer, gritaríamos em um só coro a revolta de não saber viver.
Por enquanto é isso! Aguardo mais escritos.
Verônica

marcia tomazzoni disse...

"...gritaríamos em um só coro a revolta de não saber viver". Falou a filósofa! ;)

Grande Vê!

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