quinta-feira, 5 de maio de 2011

O novo que virá


O sol se põe, deixando a tarde mais sombria e mais bonita; e a noite vai chegando devagarinho. O céu fica um azul mais escuro, e as estrelas vão aparecendo. Depois, o breu.

Então, a luz da lua faz iluminar. E a noite se faz total onipresente, imponente.

Mais horas se passam, num girar sem notar do planeta, e o sol novamente surge para dar luz a um novo dia. E assim, tudo outra vez. Assim, a vida vai se completando, para cada um, a sua forma. Ele nasce, ilumina o mundo, e tudo acorda para viver.

Criatura e as suas determinações. Seus instintos puros e impuros, sempre sob os julgamentos de um tal deus. Essa é a vida que se ensina, a vida que se aprende. A vida que as pessoas creem e querem amar.


Nos afloramentos sentimentais coletivos, a certeza é de que tudo será positivo e melhor no dia porvir. Que as pessoas serão mais educadas, mais belas, mais ricas, mais inteligentes, mais tudo de bom que haja para se desejar.


Festeja-se com champanhe, enquanto molha-se os pés no sal do mar, em meio a centenas de pedidos aos santos e estrelas para que sejamos abençoados pelo que tivermos que ser - pela água, pelas montanhas, nuvens e ar -, mais fortes, mais maduros, tolerantes, compreensivos e etc, dali pra frente; relembramos pessoas, choramos a nostalgia de momentos felizes, e a tristeza dos ruins; lamentamos, despreparados, os nossos erros e sofremos os arrependimentos de atitudes bobas e desesperadas que partiram de nossas mãos.


Mas ao nascer do sol do dia seguinte, ao passar do porre, alcoólico ou o emocional - de alegria -, percebemos, fria e decepcionadamente, que tudo está igual. Os nossos problemas são os mesmos. Nossos defeitos. Medos. Anseios. Nada está diferente do dia/ano que passou em algumas horas atrás.


Sabemos, pois mais maduros, e não por causa de numeração, mas porque amadurecemos a cada instante, a cada migalha de dor ou de felicidade, que teremos, se tivermos sorte, que enfrentarmos tantas provações ao longo dos nossos próximos minutos...


Sabemos que a vida continua e se algo muda é o nosso jeito de tratar do que temos, sejam as coisas boas ou ruins. E que o peso dos nossos carmas são pesos que teremos que carregar sós. E que as nossas dores só tocam a nós, e mesmo repartidas, são nossas, de ninguém mais.


E nessa reflexão que deprime após tanta euforia nas promessas e almejos no "tudo agora será diferente" - na imaginação inocente de que tudo será perfeito - a queda é de um degrau gigante, que nos remete à vida real; a realidade da qual não podemos subterfugiar em canto algum do universo.


E assim... segue o otimismo com suas facetas. A virada do ano é mais uma. Um motivo, uma data, para que todos tenham a fé de serem o que desejam ser momentanea ou futuramente... nesta caminhada cheia de joguetes e ciladas de cada inacabável dia.

1 comentários:

Anônimo disse...

"Criatura e as suas determinações. Seus instintos puros e impuros, sempre sob os julgamentos de um tal deus. Essa é a vida que se ensina, a vida que se aprende. A vida que as pessoas creem e querem amar."
E dessa forma somos felizes, ignorantes de como, de uma maneira bem simples, poderíamos viver melhor e com mais verdade.

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